Urbanização e dinâmicas de temperatura da superfície em Fortaleza
o papel dos elementos naturais e das transformações espaciais
DOI:
https://doi.org/10.47842/juts.v8i1.80Palavras-chave:
Climatologia urbana, Planejamento urbano, Ilhas de calor urbano, Resiliência, AdaptaçãoResumo
Diante das crescentes pressões ambientais e dos impactos acelerados das mudanças climáticas, integrar dados climatológicos ao planejamento urbano tornou-se essencial para o desenvolvimento sustentável das cidades. Este estudo analisa a relação espacial entre os padrões de temperatura da superfície e variáveis-chave do planejamento urbano em Fortaleza, Ceará, Brasil. Imagens de satélite Landsat 8, referentes ao período de 2014 a 2022, foram processadas para gerar mapas de distribuição de temperatura, os quais foram correlacionados com dados de densidade populacional, uso e cobertura do solo, vegetação, corpos hídricos, assentamentos informais, parcelamento urbano e áreas vazias. Os resultados revelam forte correlação entre a redução de elementos naturais de resfriamento — especialmente vegetação e corpos d’água — e a intensificação do efeito de Ilha de Calor Urbana (ICU). Áreas em rápida urbanização, particularmente setores costeiros e de alta densidade, apresentaram os maiores valores térmicos, enquanto zonas com infraestrutura verde e azul preservada mantiveram temperaturas consistentemente mais baixas. Esses achados reforçam a necessidade urgente de incorporar a climatologia urbana nas políticas de uso do solo, nos regulamentos de zoneamento e na governança ambiental, assegurando que a resiliência e o conforto térmico sejam elementos centrais no planejamento e no desenho das cidades.
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